Divertida Mente: 4 lições valiosas que podemos aprender com o filme

12/03/2021

 

O filme “Divertida Mente”, um dos concorrentes ao Oscar 2016 na categoria melhor animação, foi produzido com muita criatividade pelo americano Pete Docter, com ajuda de psicólogos e neurologistas, em roteiro cuidadoso e lúdico. Há muita psicologia envolvida no longa-metragem. Como protagonistas, dentro da mente da menina chamada Riley, há Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e Nojinho. Muito mais do que retratar os sentimentos existentes na vida das pessoas, mostra a importância deles. Sem dúvida, podemos aprender lições para compreender o que cada sentimento traz à nossa vida.

 

1) As emoções são responsáveis por fixar memórias

Logo no início do filme, vemos que as emoções mais representativas de um determinado momento são guardadas na memória da personagem. Nossa capacidade de armazenar dados no cérebro está diretamente relacionada às emoções vividas.

Um exemplo da relação entre memória e sentimento é um princípio chamado de ‘fuga da dor e aproximação do prazer’. O que é positivo em nossa memória, temos predisposição de repetir. Quando guardamos memórias ruins, evitamos passar por aquela situação novamente.

 Nossa cabeça funciona como um GPS, pois o hipocampo, área cerebral onde ficam as memórias, é cheio de células de localização. Cientistas da Universidade da Columbia fizeram testes para comprovar que esse GPS interno é emotivo, ou seja, ele guarda os lugares importantes para a pessoa por meio de lembranças repletas de emoções, em uma camada mais profunda do hipocampo.

 

2) Algumas memórias são esquecidas, e isso não é algo ruim

O psicólogo e filósofo norte-americano, William James, um dos fundadores da psicologia moderna, já enfatizava a importância das emoções para o bom funcionamento do cérebro. “Lembrar-se de tudo seria tão desagradável quanto não se lembrar de nada”, dizia ele. O cérebro é capaz de fazer uma seleção em função do valor afetivo que determinado acontecimento tem para nós.

 

3) Não existe sentimento melhor ou pior. Existe sentimento.

 

É normal que as pessoas prefiram o sentimento de felicidade. Um exemplo disso é a forma com que a maioria das pessoas se manifesta nas redes sociais, mostrando apenas momentos alegres. Em contrapartida, é necessário que haja outras emoções no nosso dia a dia, e o filme traz uma crítica a isso. Não precisamos estar felizes o tempo todo, a qualquer custo, pois há ocasiões em que um pouco de melancolia é essencial para lidar com algumas dificuldades, explica a neuropsicóloga Cleide Lopes, do Centro de Longevidade do Hospital 9 de Julho, em São Paulo.

A psicóloga ainda explica a respeito de outros sentimentos. O medo nos impede de entrar na jaula do leão durante uma visita ao zoológico. Já o nojo nos bloqueia de comer um lanche estragado. O segredo está em equilibrar os sentimentos e não deixar que eles nos bloqueiem de sair de casa ou de viver situações do dia a dia.

 

4) A tristeza é importante

No filme, a Tristeza não é compreendida, e quase sempre é deixada de lado. As outras emoções não entendem a sua importância e acham que ela tem menos valor. Por outro lado, essa emoção rouba a cena no longa da Pixar. Muitas vezes, é ela que promove o consolo e o conforto, que motivam a empatia e se unem à saudade de momentos felizes do passado.

Um exemplo disso é a cena em que o amigo imaginário Bing Bong está triste, e a Alegria não consegue consolá-lo. Como Riley passa por um momento cheio de mudanças, ele se sente esquecido. Só melhora com a presença da Tristeza, que se coloca de maneira empática. “Como você fez isso? Ele se sentir melhor?”, questiona a Alegria. “Não sei; ele estava triste, e eu o ouvi”, respondeu a Tristeza.